Narguilé e vape: a moda que pode custar a vida de uma geração

Entre sabores, fumaça e aparência inofensiva, adolescentes e jovens se expõem a nicotina, metais pesados e substâncias capazes de provocar doenças graves e até a morte

Pais, atenção. Adolescentes, cuidado. O narguilé e o cigarro eletrônico deixaram de ser uma “novidade” e passaram a fazer parte da rotina de muitos jovens brasileiros. O problema é que, por trás dos sabores adocicados, das cores e da aparência moderna, existe um risco real à saúde.

A falsa ideia de que narguilé e vape são menos perigosos que o cigarro convencional pode estar levando uma geração inteira à dependência da nicotina.

Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, do IBGE, mostram que 26,9% dos estudantes de 13 a 17 anos já haviam experimentado narguilé em 2019. No mesmo levantamento, 16,8% disseram ter usado cigarro eletrônico.

Entre jovens de 18 a 24 anos, o uso de dispositivos eletrônicos também cresceu: segundo o Ministério da Saúde, passou de 7,4% em 2019 para 10,1% em 2024.

No caso do narguilé, a água não “limpa” a fumaça. A Organização Mundial da Saúde alerta que uma sessão de cerca de uma hora pode fazer o usuário inalar de 100 a 200 vezes o volume de fumaça de um único cigarro. O carvão ainda libera monóxido de carbono e outras substâncias tóxicas.

Já o vape pode conter nicotina, metais pesados e compostos químicos capazes de provocar lesões pulmonares, dependência e problemas cardiovasculares.

E não se trata apenas de riscos futuros. Casos graves envolvendo jovens já foram registrados no Brasil. Em 2025, um adolescente de 16 anos morreu no Paraná após desenvolver insuficiência respiratória e sepse pulmonar em caso relacionado ao uso de cigarro eletrônico. Outra jovem, de 26 anos, relatou ter ficado 45 dias internada, perdido 18 quilos e quase parte do pulmão após histórico de uso de narguilé e vape.

Aos pais, cabe conversar, observar e orientar. Aos jovens, fica o alerta: o que parece apenas diversão hoje pode se transformar em dependência, doença e sofrimento amanhã.

Fotos: Sou BH Uai; Estadão; Colégio dos jesuítas; A Tribuna