QUANDO FALTA UMA CORDA NO VIOLÃO
A despedida de Marcelo Gasparini deixa uma ausência impossível de medir, especialmente para Maurício, seu irmão gêmeo, parceiro de vida, de música e de fé

Marcelo e Maurício Gasparini sempre me pareceram dois em um. Irmãos gêmeos, companheiros de vida e também de música. Cantavam juntos no Clube da Viola. Eram Maurício & Marcelo. Onde estava um, de alguma forma, o outro também estava.

Vieram de uma família abençoada. O patriarca, Welson Gasparini, foi um dos políticos mais sérios e vocacionados que conheci. Dona Aurisinha dispensa apresentações. Uma mulher especial, daquelas pessoas em quem parece que Deus colocou a mão com um carinho diferente.

Fico imaginando Maurício daqui para frente. Perder um irmão já é perder parte da própria história. Perder um irmão gêmeo talvez seja como perder um braço, uma metade de si mesmo.
E cada vez que Maurício pegar o violão, provavelmente sentirá que está faltando uma corda.
Mas Marcelo estará ali.
Estará em cada música que cantaram juntos, em cada lembrança do Clube da Viola, em cada encontro de família, em cada história repetida tantas vezes que ninguém mais sabe quem contou primeiro.
Penso também em dona Aurisinha. Ainda carregando a saudade do marido, agora enfrenta aquela dor que nenhuma mãe deveria conhecer: despedir-se de um filho.
Penso em Juliana, esposa que permaneceu ao lado de Marcelo do diagnóstico à despedida; no filho; no irmão Welson Gasparini Júnior, com quem tive a honra de trabalhar quando assessorei seu pai; e em Luciana, que agora também precisará encontrar forças para amparar a mãe.

No velório, fiz questão de abraçar cada um. Há momentos em que palavras atrapalham. Só um abraço apertado consegue dizer alguma coisa.
Em Maurício, apertei um pouco mais.
Porque talvez somente ele saiba exatamente o tamanho do vazio que ficou.

Mas há algo muito forte nos Gasparini: a união, o caráter e, sobretudo, a fé. Foi com ela que atravessaram tantos momentos difíceis.
E será novamente pela mão de Deus que encontrarão forças para continuar.
O violão poderá até parecer ter perdido uma corda, porém, a música de Marcelo jamais deixará de tocar.

