CATÁSTROFE  NUCLEAR: É PARA SE PREOCUPAR?

O pós-2.ª Guerra estabeleceu dois “tabus”, duas situações terminantemente inaceitáveis: novo genocídio e uso de armas nucleares

Isso por causa do Holocausto de Hitler contra judeus e as bombas atômicas americanas em Hiroxima e Nagasaki, catástrofes que não poderiam se repetir.

Pois bem. Com incentivo americano e anuência da mídia ocidental, o genocídio do povo palestino foi “normalizado”, quebrou-se um dos tabus: 30 mil crianças assassinadas, dois milhões de pessoas expulsas de suas casas, a Faixa de Gaza riscada do mapa – e o governo israelita impune!

O fracasso no Irã (os EUA se veem sem mísseis, porta-aviões inoperantes, radares destruídos), levou Trump a cogitar o uso de armas nucleares “táticas” (de menor poder) contra o território iraniano, com apoio do secretário de Defesa, Pete Hegset – felizmente, há resistência de militares de alta patente.

Ao mesmo tempo, Alemanha e Japão, dois “derrotados” da 2.ª Guerra, violam a ordem internacional e estão se rearmando. Pior: a Alemanha fornece armas à Ucrânia e o Japão se manifesta favorável à independência de Taiwan – confrontando Rússia e China, duas superpotências nucleares.

Caso os EUA cometam a loucura de lançar bombas atômicas no Irã, abrirá a “Caixa de Pandora”, e não haverá mais restrições ao uso dessas armas. Atentamos ao fato de não ser necessário autorização do Conselho de Segurança da ONU para que vencedores da 2.ª Guerra (como Rússia e China) ataquem os perdedores (Japão e Alemanha) que descumprirem a determinação de não se rearmarem.

Não seria improvável que, após um ataque nuclear americano ao Irã, Moscou atacasse Berlim (e Kiev) e Pequim atacasse Tóquio, um “freio de arrumação”, uma atitude extrema para “reorganizar o que está desordenado” e estabelecer limite ao Império americano na geopolítica global.

A escada da escalada está em nível altíssimo – e preocupante.

(Com: Pepe Escobar; Glenn Diesen; Danny Haiphong e agências).

Foto/ilustração: Axios; IStock; Shutterstock.