REDE SOCIAL NÃO É TERRA SEM LEI

Acusar, ofender e destruir reputações atrás de uma tela não é liberdade de expressão — e pode terminar na Justiça

É muito fácil ser valente atrás de um celular.

Digita-se uma acusação, aperta-se “publicar” e, em segundos, uma reputação construída durante décadas pode ser colocada sob suspeita. Depois aparecem os compartilhamentos, os comentários ofensivos e, como sempre, os juízes de rede social, prontos para condenar alguém sem prova, sem processo e sem sequer saber de onde surgiu a história.

Foi o que ocorreu nos últimos dias envolvendo o médico Dr. Francisco Simão Calil, que atua há mais de 36 anos em Taquaritinga – gente do bem, de reputação ilibada. Seu nome passou a circular nas redes sociais associado, segundo ele, falsamente, a uma ocorrência da Polícia Federal relacionada à pedofilia.

A acusação é gravíssima.

E justamente por ser gravíssima deveria exigir responsabilidade redobrada antes de qualquer publicação ou compartilhamento.

O médico divulgou nota negando as informações e informou ter contratado empresa especializada em crimes cibernéticos para identificar quem criou e quem espalhou as mensagens.

Agora, talvez alguns percebam que a brincadeira pode ter acabado.

Rede social não é boteco sem porta, muito menos terra sem lei. Ninguém ganha imunidade porque está escondido atrás de uma fotografia de perfil. Calúnia e difamação são crimes. E compartilhar uma acusação falsa também pode gerar responsabilidade.

Existe uma mania perigosa de acreditar que apagar a postagem resolve tudo. Nem sempre resolve. Prints existem. Registros digitais existem. Rastros ficam.

Antes de destruir a honra de alguém, é bom lembrar que liberdade de expressão não é licença para acusar sem provas.

Quem publica precisa provar.

Quem compartilha precisa pensar.

E quem ultrapassa os limites pode ter de explicar diante da Justiça aquilo que escreveu com tanta coragem atrás de uma tela.

Porque, dependendo do que foi escrito, publicado e compartilhado, a história pode começar com um clique — e terminar diante de um juiz, com condenação e até prisão.