O dia em que a enfermagem foi esbofeteada
O tapa que atingiu não só uma profissional, mas toda a enfermagem brasileira
Alguém dar um tapa na cara de outra pessoa, ainda mais sendo a vítima uma mulher, já é o absurdo dos absurdos. É o tipo de cena que deveria causar indignação imediata, sem espaço para relativizações ou silêncios convenientes. Mas a situação se torna ainda mais grave quando o agressor não é apenas um cidadão comum, e sim, um senador da República, alguém que deveria zelar por sua dignidade.

E o que dizer quando a vítima é uma técnica de enfermagem? Uma profissional que está ali não por interesse pessoal, mas para cuidar da saúde do outro, muitas vezes em condições adversas. Uma daquelas pessoas que, durante a pandemia, não tiveram o privilégio do isolamento. Enquanto muitos se protegiam dentro de casa, ela e tantos outros estavam na linha de frente, enfrentando o desconhecido, o medo e a exaustão.
Foram esses profissionais que atenderam pacientes contaminados, mesmo sob o risco constante de também adoecer. Foram eles que dobraram turnos, que supriram a falta de colegas, que sustentaram um sistema de saúde pressionado até o limite. Foram eles que, silenciosamente, se tornaram heróis de um tempo difícil — heróis que, infelizmente, muitos insistem em esquecer.
Mas não podemos e não devemos esquecer.
Quando um senador, que ainda por cima é pastor, agride uma profissional de enfermagem, não é apenas uma pessoa sendo atingida. É como se o gesto violento ecoasse por todo o país, desrespeitando cada trabalhador da saúde, cada vida salva. É um tapa que não se limita a um rosto — ele reverbera na dignidade de todo o povo brasileiro.
Que não nos falte memória. E, mais do que isso, que não nos falte senso de justiça e respeito por esses profissionais.

